quinta-feira, 25 de julho de 2019

Como cheguei até o Studio Catolico? - PARTE 3

Finalmente, o tríduo de postagens sobre como cheguei até o Studio Catolico chega ao fim. Primeiramente um livro secular de psicologia, depois, um livro de inspiração católica. Qual seria então o terceiro estalo? Só poderia ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia. 

É inexplicável provar da Providência Divina em sua manifestação plena. Certo dia eu emprestei um livro para estudo bíblico que eu estava utilizando e acabei por ficar sem. Mas eu precisava rezar então pedi a Deus - na Capela do Shalom Jóquei, em Teresina - uma passagem para que eu pudesse estudar, rezar e que me direcionasse de alguma forma. Foi quando o Senhor me apresentou os capítulos 1, 2 e 3 do livro Eclesiastes. Eu nunca tinha lido aquilo, ou pelo menos não me lembrava, mas encaixou com uma perfeição assustadora no contexto em que eu me encontrava, exterior e interior. 

A parte mais forte diz que Deus concede sabedoria a quem lhe agrada e aos pecadores impõe a pena de ajuntar e acumular para quem agrada. Ora, quem eu queria ser? Queria agradar ou desagradar ao Senhor? Escolhi agradá-lo e me aproximar do dom da sabedoria, sem que eu percebesse que já me fora dado no primeiro estalo: o livro amarelo.

Porém o Senhor é cuidadoso, nos chama a avaliar os riscos e decidir se é bom, decidir. Meus olhos arregalaram para uma nota de rodapé que dizia que "nem conhecimento nem erudição levam para a felicidade". Aí eu tremi né? Meu acompanhador, validando os impulsos do meu coração para estudar mais as coisas de Deus, já havia dito que o conhecimento é um caminho para a santidade. E então? Calma, veio a resposta: a mesma nota concluía que "o conhecimento faz descobrir ainda melhor que a vida é passageira". Voilà! É o meu objetivo, a forma como vou usar meu conhecimento é que vai determinar se aquilo é bom ou ruim, se vai me levar à santidade ou não. E aí expressei para Jesus que o desejo do meu coração era pôr em prática tudo que eu descobrisse, compartilhar isso para ajudar os irmãos em sua formação católica, ser mais uma voz da apologética católica, saindo em sua defesa sempre que necessário, e, claro, ser santo: era pra isso!

Usar do dom da sabedoria para mergulhar na oração, na vida de unidade, na evangelização, na história da Igreja, nos aspectos teórico-teológico-doutrinários, no Carisma ao qual me sinto chamado, nos temas delicados, nos estados de vida, na caridade, na vida dos santos. Mas como eu poderia ter certeza que era isso mesmo? Rezando! Lembra do início da primeira parte desta partilha? "A oração é o principal", "reze", "tem que rezar".

No dia seguinte, ainda sem livro com orientação para estudo bíblico, fiz a mesma experiência de pedir uma passagem que iluminasse meus caminhos. O terceiro estalo de Deus não foi fechado, transpassava os dias, as horas, e se derramou nas oitavas do meu aniversário de 26 anos, como um presente mesmo: me veio outra passagem. Dessa vez, também desconhecida por mim, foi o livro Provérbios, capítulos 1 e 2.

Foi quando Jesus me alertou sobre tudo que era preciso para me manter em Deus ainda que na busca pelo conhecimento. Resumidamente, Deus disse que para entender e alcançar o Seu temor, o Seu conhecimento e os caminhos da felicidade era necessário conservar Seus preceitos, aceitar as Suas palavras, ouvir a Sua sabedoria, inclinar o coração ao Seu entendimento, invocar a Sua inteligência, pois Ele, ELE, havia dado a sabedoria e da Sua boca vinha todo conhecimento, entendimento, sensatez e proteção.

Tive, então, certeza, de que o que Deus queria de mim era que eu passasse a estudar com confiança, fidelidade, humildade, coerência, retidão e disciplina. Contemplando Seu milagre a partir do primeiro e segundo estalos, decidi criar um perfil no Instagram divulgando livros, trechos importantes. Para isso usei um perfil desativado denominado DUAU Studio, um projeto falido de instagram profissional para meu exercício da arquitetura e urbanismo. Não era isso que Deus queria.

Entendi que se Deus converte a morte em vida, as trevas em luz, a água em vinho e o vinho em Seu sangue, o DUAU Studio poderia muito bem se transformar no Studio Catolico, em latim, nome que explica o próprio objetivo: estudar o catolicismo. Deus não desceu do céu revelando tudo, Ele foi inspirando à medida que eu me abria a graça e entendia que precisava arriscar. O livro "A Liberdade Interior" me ajudou nesse processo por dois motivos: entender que é para Deus e isso me trazia liberdade mesmo, despreocupação caridosa com as opiniões alheias; entender que muitas coisas eu preciso decidir na cegueira, por mim mesmo, no risco, pois Deus não iria dizer sempre cada detalhe do que tenho que fazer já que, afinal, Ele me fez livre e deseja que eu cresça a partir das minhas escolhas.

Foi mais ou menos assim também que a ideia de vídeos no IGTV se transformaram na criação deste blog. Febre no início do milênio, os blogs são gratuitos, promovem certa estrutura, organização e eu sabia usar - já tive cinco na adolescência. Também há dentro de mim um sede por escrever, apresentar algo. Na verdade tem um jornalista sem diploma dentro de mim. Cheguei a passar no vestibular mas não cursei. Deus, entretanto, é tão bom que o que Ele inspira Ele dá a graça de se realizar, com ou sem diploma.

E chegamos aqui no blog Studio Catolico, ainda em estruturação neste 25 de julho, mas que aparentemente tem muito a contribuir para a divulgação de material católico, livros, doutrinas, dentre outros.

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Deus abençoe!



quarta-feira, 24 de julho de 2019

Como cheguei até o Studio Catolico? - PARTE 2

É chegado o momento de dar prosseguimento a partilha da estorinha que levou a criação do Studio Catolico, embora a plataforma blogger não reconheça a existência da palavra estorinha, o que é uma pena.

Passada a fase delicada que foi a segunda metade inteira do ano de 2018, o ano presente entra com a expectativa de um evento internacional, a Jornada Mundial da Juventude no Panamá, que incluía ainda um estágio em São Paulo capital e San Jose, na Costa Rica. Deus nos dê a graça de em algum momento compartilhar essa experiência, bem como as jornadas anteriores - Rio de Janeiro 2013 e Cracóvia 2016. Nesse testemunho, todavia, vou me ater ao cuidado maternal de Maria, símbolo do encontro às margens do Pacífico, que sendo a Porta do Céu, abriu para mim um ano diferente de todos os demais.

Ora, que novidade haveria depois de quase uma década de grupos de oração e eventos? Na minha cabeça limitada e prepotente, depois de tudo - dez países, quinze acampamentos, oito retiros de carnaval, dezenas de retiros, congressos, seminários de vida e "halleluyas" -, ainda que Deus se manifestasse simples e grandiosamente de novo e de novo, não havia mais nada para conhecer das coisas de Deus.

Iludido que fala? Maria abriu as portas do Céu para mim, ela, a Virgem, que foi glorificada no sofrimento de Jesus. O mesmo Jesus me prometera em 2018 que 2019 seria o ano da glória. Perfeito. Vamos lá! É agora? E aí? Eu voltei em fevereiro e nada havia mudado. Pela patologia e também minha infidelidade mergulhei em desesperança. Onde estava a glória prometida? Onde estava Maria que abrira as portas do Céu para mim? Vacilão! Eu tinha esquecido tudo daquele livro, sobre crenças irracionais, aproveitamento da vida nas pequenas coisas, felicidade, esperança!

Eu duvidei do Senhor e não quis esperar. Paralisei então. E o que Jesus fez? Pelas mãos de Maria, me reergueu. Apresentou-me um ano de discernimento vocacional diferente na Comunidade Shalom com experiências profundas de oração comunitária. Deu-me a graça absurda de ser obediente e desapegado e viver coisas que em nove anos eu não tive a coragem de viver. Comecei a mergulhar de cabeça na sede de conhecer as coisas de Deus, ainda que atropelado.

Mas o segundo estalo mesmo foi quando fui visitar a obra de uma casa que, se Deus quiser, vou morar antes de virar o ano. Lembra quando eu falei do livro que me ajudara a descobrir a liberdade interior, mas que não era, de fato, um livro católico? Pois é. Na fatídica visita a obra, um livro que me foi presenteado três anos antes apareceu - do nada - no meio de uma montanha de objetos acumulados e empoeirados. "A Liberdade Interior", ironicamente, era seu nome. A pastora do meu grupo de oração havia me presenteado no meu aniversário de 23 anos e eu, miseravelmente, nunca peguei nele pra ler. Mal sabia eu da riqueza que aquelas páginas "terrivelmente" católicas guardavam.

Deus é, de fato, misericordioso e providente. Antecipando-se, Ele preparou o momento exato para que eu encontrasse o livro e para que gerasse em mim o que gerou à época. Era o livro que o processo vocacional motivava  a leitura naquele mês. E que grande transformação causou no meu coração.

Sem me ater a seu conteúdo, posso adiantar que a terceira parte desta estorinha vai finalmente apresentar o terceiro e mais poderoso estalo do Pai do Céu para que este projeto se realizasse.

Como cheguei até o Studio Catolico? - PARTE 1

Foram muitos anos participando de grupos de oração e eventos na Comunidade Católica Shalom ainda com o coração relutante em abraçar a verdade tal como ela é. Dezenas de momentos de oração, partilha e conselho com pessoas mais experientes - os acompanhamentos, direções espirituais, até confissões - e uma repetida obviedade que se fazia presente por frases diversas - “tem que rezar”, “o primeiro de tudo é a oração”, “reze”, “pergunte pra Deus”, " a primazia da oração" - no fundo era desprezada por mim.

Mas o amor misericordioso de Deus não desistiu de mim. Pelo contrário, insistiu, persistiu, gritou, conquistou. Em 2019, após passados quase nove anos do meu Seminário de Vida no Espírito Santo, provei de uma força interior tão poderosa, capaz de transformar todas as áreas do meu ser. Já recentemente pude descobrir que tal manifestação não ocorreu antes por conta do meu fechamento. Mas Deus, que é capaz de tirar o bem de tudo - de tudo mesmo! - fez da minha lentidão o seu tempo de graça, o tempo oportuno, o seu kairós.

Como tudo na vida, houve uma prévia, uma preparação. E eu desejo contar como cheguei até o Studio Catolico.

O primeiro estalo foi com o livro “Pare de fazer drama e aproveite a vida”, no segundo semestre de 2018. Trata-se de uma abordagem da psicologia muito interessante, objetiva e cheia de exemplos, que lembra muito aquela santa e salvífica - e violenta! - pedagogia do Ítalo Marsili. O título não poderia ser diferente, visto que a atitude de quem lê disposto a mudar de vida é justamente essa: parar de fazer drama e aproveitar a vida.

Vale destacar que cada palavra daquele livro é perfeitamente conciliável com a moral católica, os processos de oração e autoconhecimento. Embora não se comprometa com a fé, reconhece tanto a importância da espiritualidade, do sofrimento, da doação de si, e traz a felicidade como um processo que não possui viés materialista. Alguém maduro na fé certamente tira muitíssima coisa boa dele. O objetivo aqui, porém, não é fazer uma crítica ou análise.

Bem! Naquele momento épico, de finalização e defesa da monografia, de conflitos familiares, sofrimentos, imaturidades e situações delicadas, a função do livro foi apenas me sustentar. Lembro que na época rezei a Deus pedindo perdão pois havia adotado um método alternativo em relação a vida de oração. Era desesperador. Hoje eu entendo que, mesmo na minha infidelidade, aquele livro era instrumento e permissão de Deus para que eu não sucumbisse. Também entendo a relativa contribuição dele para a busca por uma liberdade interior que, pasmem, foi coroada "catolicamente" por outra manifestação simples e grandiosa de Deus; e esta também inclui um livro no meio.

Entretanto, essa partilha vai ficar para uma segunda parte…

Desde já, te acolho com alegria: seja muito bem-vindo a este locus da graça de Deus.